Durante toda semana passada fez tempo bom aqui em Caxias, inclusive com altas temperaturas em alguns dias. Chegou a sexta e desabou o céu. Muita água, o que estragaria nosso pedal do final de semana.
Como o combinado era de que se estivesse chovendo não sairia pedal, acordei 7 horas da madrugada para avaliar a situação do tempo e constatei que estava chovendo, e muito. Voltei a dormir. 8:30 toca o celular, era o Jorge, intimando para uma pedalada. Não exitei, levantei e começamos as tratativas e a arrecadação de mais corajosos pedaladores.
Por fim, marcamos 9:30 no Bosteiro e arrecadamos mais dois bravos pedaladores: o Junior e o Mika Chato. Este último, agora comprou a bici e vai pedalar, logo logo será inicializado, hehehe.
Tropa reunida no Bosteiro, partimos em direção aos SPA. Paramos na subidinha, no posto, para dar uma calibrada nos peneis. Saímos do posto e caiu o céu. Um “toró” fenomenal, logo de cara, para assustar cachorro de rua. Mas não refugamos, já que saímos cedo de casa, agora não dava mais pra voltar.
Pensamos em fazer um pedal para testar o Mika, já que seria sua primeira pedalada. Descemos a linha 30, pegamos o atalho do desmanche e seguimos para a linha 40 onde haveria a primeira dificuldade do pedal. Mas até que o Mika subiu bem, cansou mas subiu, sem susto.
Seguimos até a entrada da Casa Portuguesa, o Mika estava ficando para trás, paramos e esperamos o vivente. Enquanto isto, pensamos no trajeto que faríamos. Ele chegou e decidimos que pra ele seria melhor voltar, pois além de ser seu primeiro pedal tinha compromisso à tarde.
Seguimos com ele até Santa Justina, onde paramos para indicar o caminho e bater umas fotinhos. Este primeira, que comprova a participação do Mika no pedal e já retrata a forma de como ele gosta de ser visto: por trás.

Olha a cara de mau do Junior. Tava louco pra jogar o piá na valeta.

Ema foto da tropa: Eu segurando o saco, o Jorge chutando não sei o quê e o Mika querendo aparecer.

Indicamos o caminho pro Mika, nos despedimos e seguimos nosso rumo. O Mika voltou pelo asfalto, pra chegar mais cedo em casa. Nós resolvemos dar uma voltinha um pouco maior.
Voltamos pela mesma estrada, em direção à Otávio Broca. Na bifurcação pegamos as dereita, até a reta do milharal. Demos uma passadinha no “famoso” sítio da lagoa para os que não conheciam o “maravilhoso” lugar darem uma apreciada na paisagem.
Saímos de lá e partimos em direção à Otávio Rock. Como os dois gigantes que estavam comigo não conheciam o “atalho do milharal” resolvi mostrar a estrada para eles. Agora quase todos conhecem a estradinha, que é show de bola.
No início eu disse para eles que não acreditariam no lugar onde sairiam. Dito e feito. Este atalho realmente é um ATALHO. Ele corta um bom pedaço do pedal, ótimo para dias em que o cara quer dar uma volta mais curta.
Chegamos em Otávio Broca e, consequentemente, no bar do Gringo, onde, ÓBVIO, paramos para almoçar. Estava chuviscando um pouco naquela hora e nós três estávamos muito embarrados. O jorge um pouco mais, ainda não sabemos porque, hehehe. Nos limpamos um pouco e sentamos para almoçar. O jorge já se atracou no limãozinho. Ta se acostumando.

Mas é bão este treco. Melhor que power gel ou outro “aditivo” bicicletístico.

Comemos bem, conversamos um monte, rimos bastante, falamos mal de muita gente, inclusive de políticos, relembramos tempos de infância, apreciamos uma petiçota que adentrou no recinto estonteantemente gostosa, descansamos e resolvemos partir.
Ficamos um bom tempo parados, por isto um aquecimento antes de retomar o pedal se faz necessário. Um óleo na corrente também é bom, pois com a água que tava caindo estava ficando tudo seco e nada mais funcionava. Pegamos o óleo do Jorge, que mais parecia gozo de camelo albino. Não sabemos onde ele arrumou aquilo.
Quando estávamos quase prontos para partir surge o primeiro problema. Sempre com o Junior. O câmbio XTR dianteiro dele tava indo pro saco, todo solto, desregulado e com uma peça quase caindo. Uma bosta. XTR é uma bosta, hehehehe. Fizemos uma gambiarra ao estilo Magaiver e seguimos para o nosso pedal.
Ta, falando sério agora. O problema não é o câmbio XTR do Junior ser ruim ou não. O problema foi onde ele comprou e que foi feita uma matação na hora de colocar o câmbio na bike. Que bosta, cada dia percebemos que estamos mal de lojas de bike. E com isto, quem é bom, tá ganhando mais clientes.
Pernas aquecidas e resolvemos voltar pelo Carvalho, pois era cedo e nem tínhamos pedalado tanto. Subimos até o cartódromo oval e de lá descemos até o rio sem ponte. E descemos rapidão. Junior sempre na frente, como todo bom kamikaze. Eu logo atrás tomando pedrada e barro na cara. Um pouco depois vinha o Jorge, como sempre mais cauteloso.
Em alguns pontos da descida a gente parava para reagrupar, para não deixar ninguém pra trás e para que ninguém se distanciasse muito. Chegamos na última parte da descida, onde logo depois tem o rio sem ponte. Uma descida difícil, com bastante pedras. O Junior despencou morro abaixo e eu fui devagarito. Escutei um barulho de pneu arrastando e olhei pra trás.
Quando virei observei o primeiro tombo do dia. O Jorge não conseguiu controlar a bici e foi reto no barranco. Uma cena engraçada. Quando o cara não se faz nada é legal e bom pra dar risada, hehehe. Foi lindo de ver. E ele nem se assustou, logo já tava na estrada novamente.
Chegamos no rio sem ponte. Com a chuva que caiu durante o dia já esperávamos que estivesse cheio, mas não tão cheio do jeito que o encontramos.

Puta merda, tava complicado de atravessar o rio. Tinha muita água e não se enxergava nada por causa do barro que descia junto da água. Aí o Junior deu uma de machão e resolveu atravessar. Pegou o lado que sempre passamos, mas que não se via nada. Deu tudo certo, nenhum tombo e todos passaram tranqüilos.

O Junior até voltou para o outro lado para atravessar novamente enquanto eu o fotografava.

Saímos do rio sem ponte e seguimos viagem. Agora era só subida pela frente. Até a casa do garganta tem uma subidinha meia complicada, onde foi minha vez de cair. Nada de muito grave, apenas um arranhão no cotovelo, alguns riscos do barendis e um grito. Esta subidinha, logo na saída do rio, é bem chata.

Subimos, subimos e subimos. No meio do barro, onde os pneus pareciam estar vazios de tanto que seguravam. Chegamos na encruzilhada da capelinha, paramos para uns goles d’água e seguimos morro acima. Agora tínhamos o Carvalho pra subir. Um morro complicado, que cansa bastante e tem que ser feito com paciência.
O Jorge subiu na frente, ou e o Junior um pouco atrás. Mantivemos todos o mesmo ritmo, sem se distanciar uns dos outros. Demos uma paradinha na casa dos rótivailers para descansar um pouco as pernas. Pra variar, os animais estavam soltos. Que merda, tem gente imbecil neste mundo mesmo. Ta loco!!!
Passamos e seguimos adiante. Na última parte da subida o Jorge deu uma escapada. O Junior tentou trocar de marcha e detonou de vez o XTR que já tava dando pau. Eu dei duas pedaladas para tentar buscar o fugitivo mas caiu a corrente. Sacramento. Paramos, rimos e o Jorge fugiu. O Junior pegou os pedaços que sobraram o câmbio dele e guardou. Uma hora dessas vamos lá onde ele comprou e mostrar pro cidadão que vendeu que coisa linda aquilo.
Retomamos o pedal e chegamos em Santa Justina, acabou a alegria, acabou o barro, acabou a estrada de chão. Agora era mais 15 km de subida no asfalto. E com um sol meio encabulado, ameaçando aparecer.
Começamos então a última parte do pedal. De início todos juntos, aí novamente o Jorge escapou um pouco. Estávamos num ritmo bom e subindo sem parar. Ninguém parou na subida, todos subiram juntos. O Junior foi ficando pra trás (40 dias sem pedalar é complicado) enquanto eu alcancei o Jorge, passei e comecei a puxar na frente.
Em alguns pontos o Jorge grudava e esboçava uma ultrapassagem. Lá em cima, faltando uns 500m pra chegar na capelinha, onde termina a subida, senti uma pressão. O Jorge querendo passar. As minhas pernas já não estavam mais em condições de fazer muita força, mesmo assim não deixei o gigante passar.
Reuni todas as forças que me restavam e aumentei o ritmo. Nem pensava mais em nada, só girar mais rápido pra fugir do Jorge. E fugi. Maazzaaaaaaaaahhhhhhhh!!!
Chegamos na capelinha ,paramos e as pernas começaram a tremer. Foi um sprint legal. Óbvio que cheguei na frente porque o jorge já tava mortaço, devido aos pedais da semana, mas cheguei na frente de um dos gigantes. Ainda bem que não tinha o Testa junto, se não eu seria xingado por deixar de lado os princípios dos RomarioBikers, hehehe.
Sentamos, descansamos e esperamos o Junior, que em seguida apareceu. Tomamos uma água e partimos de volta pra casa. Cada um seguiu seu destino. Eu cheguei em casa marrom e pesando uns 3k a mais, de tanto barro.
Lavei a bici e me lavei junto. As antes tirei uma foto para comparar onde pega barro e onde não pega barro no corpo. Que coisa linda.

São Pedro tentou estragar nosso pedal, mas não conseguiu. Os bravos pedaladores de sábado ainda deram risada do barro e da chuva que encontraram. Foi mais um belo pedal. Até o próximo.
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