Vocês, ao lerem o títulos do pedal, devem estar pensando que fomos pedalar em algum zoológico mas não é nada disso, isto é apenas para dar uma idéia do que encontramos neste último pedal. Vamos lá…
Era para termos ido pedalar no feriado de 7 de setembro, mas eu estava mortaço e liguei para o Zunior avisando que iria no sábado, o mesmo concordou em adiar, marcamos o pedalzito então para o sábado.
Sábado de madrugada, 9 horas em ponto chego no Bóbis e lá o Zunior já estava me esperando. Neste momento o celular dá sinal de mensagem recebida: “Não vou. – JorgeOK”. Com a desistência e furada (hehe) do Jorge e a ausência dos demais que foram viajar, sobrou para os dois fiéis pedaladores encararem a indiada solitos, e que indiada.
No local de encontro, estacionados em frente ao Bóbis já começam a aparecer os bichos do pedal. Uma enorme aranha carnívora estava passeando pelo meu pneu traseiro. Terrível isto…

Como não precisávamos esperar por mais ninguém, visto que mais nenhum pedalador se apresentou para ir junto neste dia, partimos, só que lembramos que faltava algo: bomba. Sim, estávamos sem bomba, caso furasse um pneu teríamos que encher assoprando, o que não seria nada bom.
Resolvemos então mudar o destino do pedal, o que era para ser uma baita pedalada pelo paredão, resultou em uma rota alternativa de 75km. O que foi até bom, pois se fossemos apenas eu e o Zunior descer o paredão poderia acontecer algo errado. Dois kamikazes descendo como loucos e sem ninguém pra resgatar de um acidente não é o ideal.
Pegamos e BR116 em direção à Ana Rech, fomos até o Joacir (mecânico, vendedor, depilado…) da Estação Bike. Lá chegamos e fomos atendidos pelo mesmo, que prontamente nos chamou de ursos, devido ao fato de NÃO depilarmos as pernas, coisa que viadinho faz todos os dias.
Falamos algumas bobagens com o Joacir, mentimos um pouco, pegamos uma bomba emprestada e seguimos caminho. O Joacir indicou uma saída para o bairro Castelo, logo ao lado da sua loja, mas avisou que era um penhasco para descer. E era mesmo.
De cara largamos os freios para descer, pegamos uma curvinha que não dava para ver se a estrada continuava ou terminava o mundo, uma socada nos freios, poeira, pedras para os lados, aquela coisa toda, escandalosa, mas seguimos caminho, precipício abaixo até atravessarmos o bairro e sairmos lá em baixo na Rota do Sol, mais precisamente no Santo Detergente.
Entramos na estradinha do santo e seguimos caminho, passamos pelos túneis e, ao cruzar a descida que leva a São José o primeiro sprint do dia. Mas não foi um sprint comum, motivado pela alegria de sentir as pernas esquentando, este foi proporcionado por um pastor alemão que estava de tocaia, no cantinho de uma moita, só esperando uma alma perdida para atacar.
E o bicho veio abras de nós como louco, parecia esfomeado, ensandecido, querendo a qualquer custo nos alcançar, mas nós, como bons fugitivos de cães não nos entregamos, até porque não seria agradável parar. Foi difícil, mas o bicho cansou, após uns 300 metros ele desistiu, ainda bem, pois as pernas começaram a cansar.
Depois do susto passamos pelo Bar do Veio e resolvemos descer até a Ponte Amarela para pegar um vento na cara e descansar as pernas. Descanso nada, mais uma carnificina na descida. Fazia tempo que não pedalávamos por ali e resolvemos testar a descida e ver se continuava boa para dar um laço. As curvas continuam no lugar.
Chegamos lá em baixo na ponte e paramos para umas fotinhos e retratar as pedras, como sempre.


Tomamos uma água e resolvemos mudar o pedal novamente, estávamos com vontade de nos perder. Decidimos subir em direção à Gruta das Índias e depois pegar o atalho do Moinho.
Dito e feito. Subimos num ritmo mais rápido do que o costume, sem parar, coisa que não podemos contar, pois vão achar que estamos começando a gostar de subir, hehehe. Mas foi uma subida boa, bem agradável, o tempo estava bom, com sol mas tinha bastante sombra pra ir tranqüilo e conversando, ah, claro, falando mal dos que não estavam presente.
Após alguns km de subida finalmente chegamos na entrada do atalho do moinho Assombrado, ou Abandonado, como preferirem. Mais umas fotinhos para marcar a passagem no local.


E uma fotinho do início da subida. Assim que tirei a foto escutamos um barulho de um carro despencando morro abaixo. Era um tiozão com sua senhora, dentro de um opalão dourado, cosia linda, acho que era um comodoro, não vi direito, só vi poeira.

Guardamos as tralhas e começamos a subir, devagar, pois esta subida judia das pernas. É curtinha, mas em alguns pontos bem íngreme, mas conseguimos subir tranqüilo, sempre os dois juntos e conversando para enganar o cansaço das pernas.
Passamos pelo moinho, seguimos caminho, até chegar na encruzilhada que vai ao Camaldolli.

Após uma seção de fotos seguimos caminho, nosso destino agora seria Souza Farm, pois queríamos dar uma aumentada no percurso.
Saímos das estradinhas tradicionais da região e entramos agora no estradão que leva até Fazenda Souza, ou Vila Oliva, ou sei lá onde, é tudo a mesma estrada, cheia de carros apressados e gente que não tem respeito, mas seguimos caminho.
A estrada não tem muitos atrativos, é um retão, um subidão, um descidão, um retão, um subidão e um descidão, e assim por diante, sem emoções mais fortes. a maior emoção é quando passa um carro por nós atirando pedras.

Como já tínhamos uns 40 e poucos km nas pernas e o sol começava a pegar de verdade, resolvemos procurar uma sombra para parar um pouco e dar uma descansada nas pernas.
Paramos por uns 10 minutos, tomamos bastante água, comemos uns salgados via Carrefour, um chocolate do Zunior, conversamos e presenciamos uns 15 carros passando a 280km/h na estrada de chão. Este povo é muito apressado, ta loco…

Como o sol estava ficando mais forte, era perto de meio dia, nada melhor que um protetor solar para não torrar o pescoço e os braços. Passado o besuntado, partimos novamente. Andamos alguns km e numa subida um pouco mais forte senti que algo estava errado com a minha bike.
A criança parecia estar travada. Sei que as pernas não estavam lá 100%, mas não podia já estar morto e sem forças já neste ponto do pedal. Algo não estava certo.
Parei, olhei tudo, nada errado. Girei a roda dianteira e nada, girei a traseira e… puta que pariu, roda travada, não dava nem meia volta. Culpa do calor. Quando paramos as bikes ficaram no sol e o flúido do freio esquentou demais e dilatou, fazendo travar a roda traseira, que é a que deixo o freio no limite. Nada que uma simples regulagem de pressão não resolvesse.
Agora estava tudo certo, não tinha mais nada me segurando, era hora de dar laço até Souza Farm. E nos mandamos, última descidona antes do asfalto e despencamos. O Zunior se mandou na frente mas eu seguia logo atrás. Na primeira curvinha ela abriu demais e eu passei por dentro da curva. Coisa linda aquela descida.
Se não fosse por um Fiet e uma moto que nos atrapalharam em uma curva, dava pra embalar e subir o outro lado sem pedalar, hehehehe. Mas, infelizmente não deu e tinha bastante cascalho do lado de fora, coisa não muito agradável numa curva, mas superável, mesmo que todo torto e saindo de traseira, hehe.
E, após uma subida chata e com bastante pó, chegamos no asfaltinho que nos levaria até Fazenda Souza. Lá chegando notamos que muitos já sabiam que estaríamos por ali naquele dia e se prepararam para nos receber.

Entramos na avenida principal, só tem uma, e fomos até o famoso e ruim bar suspenso, onde paramos para almoçar. Comemos um xizão, tomamos uma cocona e ligamos para o Testa nos informar como estava a situação em constantina. Depois da comida deu um sono danado, normal.
Neste mesmo dia tinha prova de ciclismo na localidade, era prova das Gazelas, pessoal que anda com as pernas depiladas, mas não vimos nenhuma perdida por ali, estavam se carneando em algum lugar do asfalto.
Fomos até a praça central para ter mais informações sobre a prova. Não descobrimos nada. Só descobri que eu nunca chego em primeiro lugar, em prova alguma. Mas ainda vou conseguir, estou treinando pra isso.

Sentamos nos bancos da praça, descansamos um pouco, fomos rodeados de uma piazada que havia participado de uma prova de ciclismos para crianças. Ficamos uma meia hora escutando “o tio, o que é isso?”, “o tio, tu pedala?”, “o tio, eu sou melhor que ele.”, “o tio, deixa eu dar uma volta na tua bicicleta?” e assim por diante.
Quando a nossa paciência já estava esgotada e as pernas descansadas resolvemos pegar a estrada e voltar pra casa.
A volta foi sem graça, caminho chato, asfalto até a entrada do Bairro Castelo, mesmo local que saímos no início do pedal. Dali em diante é sempre igual, subidão até a BR e estávamos em casa. Ou melhor, primeiro passamos pela civilização, local onde, vocês já sabem, começa a sobrevivência para os ciclistas.
Foi mais um espetacular pedal, esperamos que no próximo mais gente se faça presente e o Jorginho não fique brabinho por não termos ido pedalar com ele no feriado de 7 de setembro. A gente teve que ir marchar, por isso faltamos… Até o próximo.
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