Sábado levantei cedo, 8 da madrugada estava de pé. Tomei um nescau tradicional, duas bananinhas e fui arrumar as tralhas para o pedal do dia. Katja preparada, tralhas arrumadas, fantasia pronta, aquecimento e me mandei de casa rumo ao Bob’s, ponto de encontro determinado para este pedal.
Ao sair de casa um ventinho cortante me atrapalhava. Desci a Julio, entrei na Av. Itáli e subi a Sinimbu até o ponto de encontro. O vento cortante piorava a cada pedalada. Talvez fosse porque estava um dia (um pouco) frio para pedalar SÓ de camisa, sem corta-vento nem jaqueta. Mas acho que não, pois os termômetros marcavam 7°C, estava ótimo.
Cheguei no Bob’s e avistei por lá o Jorge e o Zunior me aguardando. Ambos estava completamente encasacados. Com luvas de dedo longo, aqueta, manguitos, corta-vento, calça de bailarina e toda vestimenta própria para dias muito frios. E eu só de bermuda e camiseta.
Batemos um papo e esperamos o último pedalador, o Testolino, que chegou atrasado. Deve ter demorado porque ficou tentando colocar as calças de bailarina. logo que ele chegou, arrumei um jornal para usar como corta-vento, coloquei por baixo da camiseta, e nos mandamos, rumo à Rampa Sul.
Antes de sair o Testa fez questão de avisar ao Jorge para nunca mais deixar em casa sua bolsinha “ecomotion”. Avisou também que o guidão do Jorge é bem bonito, isso, inclusive, ele ressaltou e falou com um certo tom humorista. E é bonito aquele guidão. Né Jorge?
E adentramos no Bairro Cruzeiro e fizemos a primeira parada do trajeto. Paramos ali na Agafarma para dar oi pra sogra do Testa. hehehe. E seguimos viagem. De início já enfrentamos uma parte do caminho com plantação de cascalho. Que terrível que é pedalar no cascalho.
Aí saímos da civilização e começamos a entrar nas colônias. Passamos pela frente do Motel Lebond e notamos que ao lado, um pouco depois, tem o “Portal do Eden”, local propício para gravações de filmes de terror. O Testa inclusive marcou bem o local para voltar uma outra oportunidade e entrar pelo portão. Seguimos adiante mas antes de começarem as descidas os demais Pedaladores quiseram parar e registrar uma foto onde mostrasse que eu era o único índio do pedal.

Depois que riram bastante de mim seguimos viagem, em direção à São Francisco da 4ª Légua. Morro abaixo é uma maravilha. Sim, é uma maravilha pra quando não está frio e sem a vestimenta apropriada para o vento. Que terrível. Não sabia se descia devagar para não pegar vento ou se descia rápido para chegar lá em baixo e me esquentar logo. Nesta hora complicou. Resolvi descer rápido, é mais emocionante.
Seguimos mais um pouco até encontramos uma árvore sócia dos AA. Notem que ela estava caminhando à beira do barranco, deve ter escorregado e caiu.

Continuamos o caminho pela mesma estrada, sempre na principal. Passamos por diversas bifurcações, locais que no futuro serão desbravados. Chegamos então em São João da 4ª Légua, passamos o ginásio de esportes, a igreja e o buteco onde não se pode permanecer armado. Paramos um pouco adiante para que o Jorge descansasse um pouco. Aproveitamos e tiramos mais fotos.

Além das fotos dos pedaladores, o Jorge sempre gosta de retratar a civilização antiga. Muito bem cuidada esta casa de pedra. Merecia uma foto.

Partimos em direção a São José da 4ª Légua. É muito santo em uma légua só. Estávamos bem protegidos por, no mínimo, três santos: São João, São José e São Francisco. Podíamos abusar nas descidas.
Num descidão muito bom de pedalar o Zunior se largou na frente. Me mandei na cola dele, seguido, um pouco mais de longe pelo Testolino e pelo Jorge. Na metade da descida tive que parar para resgatar a caramingola que tentou se suicidar. Aí foi mão nos freios até parar, estávamos numa velocidade um pouco alta. Parei, voltei uns 40m, resgatei a caramingola e me mandei morro abaixo para alcançar os demais que sumiram.
Me encontrei com eles quase no final da descida, onde me aguardavam rodeados de inúmeros “amiguinhos” latindo feito loucos. Um deles tinha uma certa habilidade para escalar pedras.

Como tem cachorro nesta estrada. Em questão de minutos podemos encontrar no mínimo uns 30. Nos reagrupamos e partimos adiante. Agora começava uma subidinha meia chata. E não é que um “amiguinho” gostou tanto de nós que veio fazendo “companhia” até o meio da subida.
Porcaria, que cachorro chato aquele. Montei na bici e o bicho veio. Aí tentei dar uma escapada mas ele seguia no meu calcanhar, latindo endoidecidamente. Alcancei o Testolino e deixei ele fazendo companhia pro animal, que não cansou. Nos seguiu por um bom tempo, sempre na nossa cola, latindo e ameaçando. Graças a Deus os bichanos não têm cérebro, pois eu tava cansando na subida e se ele tivesse um pouco de paciência era só esperar eu cansar para dar o bote.
Paramos um pouco adiante para umas fotinhos e para descontrair um pouco, além de observar a bela paisagem do local. Notem a estrada lááááá em baixo, sinal de que estávamos num pouco relativamente alto.

Segundo o Testa, ele tinha visto um caminhão ali na estrada, e que o motorista tava de lentes. O Testa tem visão biônica.

Seguimos viagem, agora era subida pela frente, sem descanso. Próxima parada: Rampa Sul, local onde os alucinados saltam de paraglider e assemelhados. E nos mandamos morro acima.
Já de início a subidinha dá mostra de que não será fácil de ser vencida. Começa bem tranqüila, dá pra ir na coroa do meio, dá um descanso e depois piora, e piora muito. Eu larguei na frente, coroa do meio e perna queimando. O Primeiro lance da subida foi barbada, depois tentei vencer o seguinte sem baixar pra coroinha (como aconselhado pelo Jorge). Não deu, pedalei uns 5m e as pernas pediram reforço, aí a solução foi baixar pra coroinha, ser ultrapassado pelo Jorge e pelo Testolino e subir na manha.
A subidinha judia, tem que ir com calma, não adianta querer se afobar pois é muito longa e com pontos bem íngremes. O negócio é ir levando ela devagarito, sem pressa. Após transposta a subida judiante tem mais um pedaço em subida, mais leve, onde dá pra subir tranqüilo na coroa do meio. não tão tranqüilo assim, mas dá pra subir, hehehe.
Chegamos no topo, chegamos na famosa Rampa Sul. A vista do é espetacular, pena que algumas pessoas estragam a foto.

Aproveitamos que o dia estava ótimo, descansamos, apreciamos a paisagem, batemos várias fotos e demos muita risada.

Lá no fundo, no outro lado, é o Ninho das Águias, outro pondo de onde os alucinados decolam sem asas. Estes três aí, dependurados na beira do precipício não tiveram infância.

A conversa estava boa, as fotos cada vez mais legais, mas precisávamos voltar. O Jorge sugeriu descermos até o Caí e voltar pelos famosos “cotovelos”. Só que tanto eu quanto o Testolino não podíamos demorar muito na volta, e este trajeto levaria muito mais tempo para ser feito. Voltamos então pelo mesmo caminho por onde fomos.
Agora aquela subidinha judiante se transformou em uma descidona alucinante. Eu e o Junior nos largamos morro abaixo seguimos pelos outros dois pedaladores. O Zunior começou a escapar e eu fui ficando pra trás. Tentei buscar o bicho mas quase que os Santos precisam vir me buscar. Bem na última curvinha eu quase fui reto. Passado o susto me encontrei com o Zunior logo adiante, no final da descida há uma casa e lá estava ele reabastecendo a caramingola. Esperamos os outros dois pedaladores e nos mandamos.
Largamos os 4 juntos, mas eu fui ficando para trás, as pernas ainda não haviam esquentado. O Jorge Ex-ecomotion começou a se distanciar, deixando para traz o Testolino e o Zunior, e mais atrás ainda, eu. Mantive uma distância de uns 30m dos demais e fui subindo.
Nesta subida, que antes era descida, é o local onde mais existe cachorros soltos no universo. Aquela cachorro preto que na vinda nos seguiu estava lá, nos esperando, pronto para dar o bote. Tinha também o Cão Helicóptero, um cachorro de porte médio, o único preso em corrente. Também pudera, o cão era do demo, dava pulos alucinantes mesmo preso na coleira, o que o fazia dar voltas e mais voltas. Uma cena engraçada, boa para perder a concentração na subida.
Lá em cima, quase no finalzito desta subida mais longa, dei um gás e alcancei os demais. Ou será que me esperaram? Na dúvida é melhor dizer que eu me esforcei pra alcançá-los. Paramos no buteco onde não se pode permanecer armado para comer alguma coisa. Não tinha nada, só porcarias e trago. Pedimos uns salgadinhos, umas rapaduras e uma dose de ródka para os RomarioBikers, pois ninguém é de ferro.
Conversamos mais um pouco, descansamos e fizemos amizade com o Pateta, uma criatura sem noção, que deixou todos bem animados.

Chega de descanso, vamos pra casa, se não a janta será um X e não o combinado xurras. Na saída do buteco tem um parquinho de diversões, aí as crianças se divertem.

Depois disto foi só subir, subir e subir. A volta é muito boa de se fazer. Muito mais subidas do que descidas, mas subimos todos bem, num ritmo bom e sempre juntos. O Jorge as vezes dava umas escapadas (por causa do guidão) mas logo nos reuníamos.
Chegamos então novamente no bairro cruzeiro, de volta à civilização, ao barulho, ao caos, ao desrespeito com os ciclistas. Como tem motorista imbecil neste mundo. Eita gentinha estressada.
Nos despedimos ali no trevo da BR e cada um foi para seu lado. Foi um ótimo pedal. É muito bom pedalar com gente que se preocupa mais em se divertir. 58km cravados no cateye com uma ajudinha ao chegar em casa, claro, pra arredondar né. Até o próximo pedal.
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