Era uma vez, uma grandiosa equipe de ciclismo que só se preocupava em pedalar para se desestressar. Até que um dia… ops, história errada. Vamos começar novamente.
Alooou pedaladores de plantão!!! Estamos aqui novamente para relatar mais um pedal dos SerraBikers, contanto com a participação da equipe RomarioBikers.
Sábado quente, muito quente. 8 horas da madrugada combinamos de nos encontrar em frente ao Bosteiro. No horário combinado lá estavam Jorge, Testolino, Junior, Prona e eu, Bassolinovinsky, prontos para mais uma indiada divertida sobre os pedais. Nosso objetivo era fazer a famosa e já desbravada TRILHA DAS ARANHAS, um pedal magnífico.
Partimos para o “passeio”. Seguimos em direção aos SPA, pegando de cara uma subidinha para aquecer as pernas. Logo após descemos em direção à Santa Justina, descida para esquentar os freios e testar se está tudo em ordem.
Lá em baixo quebramos as direitas e pegamos o atalho da Casa Portuguesa, estradinha nova para alguns.


O Jorge se mandou na frente, dando pinta de quem iria nos deixar pra trás o pedal inteiro. Subimos e chegamos na tal Casa Portuguesa, pegamos o atalho do Morceguinho e pela primeira vez conseguimos fotografar o violento, feroz e terrível animal.

Continuamos descendo até a Capela de São Francisco, onde paramos para retratar nossa passagem pelo local.

O primeiro incidente aconteceu aqui. O Testolino escorou mal a bicicleta na escada e querida despencou ao chão, quebrando os óculos do animal. Quando ele foi ajuntar a bike percebeu que a roda estava solta, aí sobrou pro mecânico de plantão arrumar a roda do Testa, hehehe.

Esta estrada é um descidão interminável. Logo, os dois kamikazes de plantão sumiram na frente, deixando eu, Testolino e o Jorge pra trás. Encontramos-nos lá no asfalto, estrada que vai para Otávio Rocha, cruzamos e seguimos adiante, em direção à Nova Pádua, sempre pelos caminhos alternativos, nada de asfalto. Antes de chegar no asfalto eu tive a sorte de ser atacado por duas abelhas, sendo que uma delas não contente em me dar uma ferroada, me deu um chupão e se suicidou dentro da minha camiseta.
Seguimos pela bifurcação dos PMS, subimos o morro do Manga e seguimos viagem. Esta subidinha do Manga já foi bem pior, agora é bem mais fácil de ser feita, muito mais tranqüila. Ainda mais quando se vai em bando, conversando e apreciando a paisagem. Tudo é mais fácil. Uma breve escapada minha e do Jorge, o Prona chegou e sentou. Mas tava bem ainda.
E estrada estava calma, nenhum gringo dando laço naquela hora, estavam todos preocupados com a lavoura. E todos ficam contentes quando passamos e os cumprimentamos, alguns olham com ar de desconfiança, mas todos cumprimentam, mesmo que envergonhados. Também, se aparece 5 ETs na frente da minha casa eu ficaria sem jeito igual.

Seguimos estrada adiante, beirando os inúmeros parreirais da região, coisa linda de se ver, início de safra, parreiras crescendo. Que venha o vinho.

Um sobe e desce interminável. Num desses “desce”, foi registrado um novo recorde de velocidade da turma. O Junior desceu a 78 Km/h no estradão de cascalho, seguido bem de perto do Prona, com velocidade semelhante. Depois Basso e Testa e pra variar o Jorge por último. Até que chegamos em Nova Pádua.

De cara paramos em frente à casa da Dona JENOVEVA para que o Jorge pudesse deixar escapar seu lado gay e retratar o jardim da casa, tendo como modelo para as fotos o Testolino.

Conversamos um pouco com a dona da casa e nos despedimos, paramos um pouco adiante para fazer o primeiro lanche do dia no mercado do município. Enquanto eu, o Prona e o Junior providenciávamos suprimentos o Jorge e o Testolino ficaram tirando algumas fotos. Antes de seguir até o pitstop o Testa foi tirar uma coisa que lhe estava incomodando por dentro.


Reunimos a tropa e descansamos um pouco. Comemos alguma coisa, tomamos uma cueca-cuela e falamos algumas besteiras para descontrair.
Reabastecemos as caramingolas, alongamos as pernas e levantamos acampamento, mas antes nos munimos de suprimentos coloniais para não passar fome durante o longo pedal.
Nosso destino agora, pelos nossos planos era o Belvedere Sonda, ponto turístico da região, localizado próximo ao Rio das Antas de onde se observa a bela paisagem dos montes que ladeiam as margens do rio. Uma paradinha para comprovar nossa passagem pelo local onde muitos se perdem.

Seguimos adiante pela direita, agora tem um trecho de asfalto, poucos km até pegar a esquerda no “chón” de novo. Cruzamos pela estrada que está sendo asfaltada. Um caminho ótimo de ser percorrido de bicicleta. Basta observar a foto.

Seguimos novamente em direção ao Belvedere Sonda, passamos por um cidadão ensinando seu filho a pilotar uma tobata, coisa típica da região. E finalmente chegamos. Avistamos de cara uma excursão de “moças” no local, heheheh e conhecemos a dona PEPA, que é a guia e a pessoa que cuida do local. O Testolino fez amizade com ela, uma amizade bem forte eu diria. Até ganhamos um queijo e pão caseiro colonial. Muito bom.

Ficamos um bom tempo no local, até que o pessoal da excursão foi embora e liberou o mirante para que nós usássemos para tirar algumas fotos da região.


Retratamos também a imagem dos pedaladores sombras.

Chega de papo, um “ciao” para a dona Pepa e nos mandamos, morro abaixo. Era hora de descer em direção a balsa, não estávamos nem na metade do caminho.
Saímos e demos a volta por trás do belvedere. Tem uma estradinha tinhosa que leva até a principal que desce até a balsa. O Jorge se foi na frente. Mas não porque estava rápido, é que ficamos esperando ele se posicionar no primeiro cotovelo pra fazer umas fotos neste ponto crítico.
Um descidão do capeta, com dois cotovelos cruéis, onde o Prona foi reto e levou o Junior com ele. O Jorge estava lá em baixo pronto para fotografar a cena, mas preferiu se proteger dos dois kamikazes e acabou nem fotografando nada, hehehe.
A estrada tem uma inclinação forte antes do cotovelo, cheia de pedras e degraus. O pneu traseiro vem pulando e fica difícil de frear. O Prona veio por dentro e o Junior por fora. Só que o Prona não conseguiu fazer a curva e passou reto, levando o Junior com ele. Corrigida a trajetória os dois seguiram despencando morro abaixo. Em seguida eu e o Testa.

Paramos e esperamos o Jorge guardar a máquina e seguimos descendo. Bastante cascalho e descida forte. Ruim seria encontrar um trator subindo. Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa tinha um trator subindo. Nada grave, deu pra passar.
Chegamos então na estrada principal, saímos deste atalho dos cotovelos e agora pegaríamos a estrada até a balsa. Mais uma descida interminável e esta eu conhecia, mas nunca havia passado por ela de bike, só de carro. Como ainda não tínhamos feito nenhum vídeo alucinante, resolvi filmar a descida e o resultado vocês podem conferir abaixo.
Após uma longa descida, quase 3 tombos, dores na mão direita, cheguei até onde estavam os demais, me esperando e esperando a balsa que estava do outro lado do rio esperando algum veículo motorizado para atravessar o rio.

Não demorou muito e apareceu um “golo”, a balsa então veio até nosso encontro e pudemos atravessar o rio.

Teve gente que quis pilotar a balsa e acabou atrapalhando o serviço dos caras.

E cruzamos o rio. Agora estávamos próximos da trilha das aranhas assassinas. Pegamos a estrada e seguimos adiante.

Estava tudo tranqüilo, até que paramos na primeira placa que avistamos para conferir o nosso destino, eis que o Junior se descuida e proporciona o primeiro tombo da tarde.

Quase foi flagrado na hora H, pois eu estava pronto para tirar uma foto da placa, mas foi por pouco mesmo.
Como vocês podem observar na placa, é um local perigoso, impróprio para banho e fomos lá conferir o tal CACHOEIRÃO.

Espetacular, a água chega lisinha até as pedras até que entra de encontro com as inúmeras crateras de pedras e proporciona um espetáculo aos visitantes.

Algumas fotos artísticas outras não, e resolvemos seguir viagem. Pegamos as bikes e retomamos nosso rumo. Voltamos para a trilha das aranhas bandidas e começamos a perceber que algo estava errado, pois não havia aranha nenhuma no local. Alguém deve ter avisado elas para ficarem em casa. Só pode.
Em compensação, o que tinha de borboleta era algo impressionante. Andamos mais um pouco e paramos novamente para mostrar ao Junior onde os malucos descem o cachoeirão de bote.

Junior, ta vendo a seta amarela ali? Ta vendo? É ali que os caras pulam. Hehehe
Continuamos pela estrada das aranhas, que prontamente foi chamada de estrada do pula-pula, de tanta valeta e buraco que tinha. São alguns km no meio do mato, costeando o rio das antas, sempre pedalando, fugindo dos buracos, pois de aranhas não precisava.
O Jorge caiu, eu caí, mais alguém deve ter caído, vários foram os semi-tombos, mas continuamos, até chegarmos num rio que desce a montanha para se encontrar com o rio das antas, formando uma pequena cascata.

Enquanto os mais afoitos já estavam lá na frente retratando a paisagem, eu que havia caído fiquei para trás, junto do Prona que parou para arrumar o olho, sim, o olho. Mas chegamos e nos reunimos com a tropa.

Neste ponto estávamos quase no final da estrada, mas ainda faltavam alguns km e mais alguns atrativos, como pedras, mais valetas, mais árvores na pista e rios para serem cruzados.

Até que, finalmente, após um bom tempo de pedalada no meio do mato fugindo das borboletas amarelas comedoras de cérebro de ciclistas, chegamos na PONTE DE FERRO, local onde as pessoas desmioladas que fazem rafting se reúnem para pegar os botes e descer o rio.
Achamos um canto, desembarcamos das bicicletas e descansamos. Era praticamente a metade do pedal, 50km até o momento e todos estavam desgastados. Paramos para comer alguma coisa, suprimentos coloniais, etc.. Ah, e tomar muita água, pois o calor estava judiando.

Ficamos um bom tempo descansado, conversando e olhando o pessoal do rafting. Um pessoal bem estranho, heheh.
Acredito que ficamos mais de uma hora parados, então era hora de retomar o pedal e, como havíamos descido bastante até ali, agora precisávamos subir. E que subida!!!
Despedimos-nos da ponte e começamos a subir. São 16km de subida. Com o calor que estava fazendo, refletindo no asfalto, subir foi algo interessante e judiante.

Na frente íamos eu e o Jorge, num ritmo bom, sempre aumentando a velocidade, até que fomos ultrapassados pelo Junior que começou a se distanciar.
Aí o Jorge disse: “-Calma que ele vai diminuir.” E seguimos sempre no nosso ritmo, os dois lado a lado pedalando forte. Eu tava morrendo, mas começamos a chegar no Junior, que foi diminuindo e ultrapassado.
Nosso ritmo estava muito alto para o meu condicionamento, mas fui subindo junto do Jorge. Até que o Testolino deu uma puxada no ritmo dele e nos alcançou, nos passou e fugiu. Mais uma vez o Jorge teve calma e continuamos no nosso ritmo.
A subida estava ficando mais íngreme, nossa velocidade começava a baixar, mas aos poucos a gente se aproximava do Testolino. Chegamos nele, passamos e minhas pernas começaram a dar sinais de cansaço, muito cansaço.
Andamos mais alguns metros e resolvemos parar. Na única sombra da estrada, no valetão ao lado paramos para descansar e tomar uma água. Ficamos nós três quanto o Junior vinha lá em baixo, mais devagarito até que chegou também.
Começamos a ficar preocupados com o Prona que não aparecia. Ele estava há um bom tempo sem pedalar e esta indiada era meio grande pra ele, mas índio veio tem que sofrer. Estava ficando tarde e o Jorge resolveu descer para buscar o Prona, enquanto eu, o Testa e o Jr continuamos o pouco que faltava da subida. Até que chegamos.

Dali seguimos até Vila Jansen, ponto de parada para reagrupar, tomar um (foram dois) sprite bem gelado e recalibrar as pernas. O Prona estava bem cansado, assim como o Testolino, que se desgastou demais na subida do asfalto.

Revisão geral nas bicis, óleo na corrente, caramingolas abastecidas e retomamos o pedal, num ritmo mais lento .Tinha mais 4km de subida até a estrada que vai para Caravagio. Lá em cima, tem uma parada de busão, onde o Jorge, o Junior e eu paramos para esperar os dois retardatários que vinham na maciota.
Reagrupamos, os dois estavam sequelados, deitamos no chão mesmo e resolvemos dar um tempo para as pernas. Ficamos um bom tempo descansado, teve gente que quase dormiu, hehehe, mas precisávamos continuar, Tinha mais uns 30km até em casa, heheheh. Estávamos todos cansados, por isto poucas fotos deste ponto em diante.
Pegamos a estrada que leva até Caravagio, um caminho bom de ser feito, com descidas longas e no final um subidão pra pagar os pecados e pedir a bênção pra Santa. No meio da subida uma paradinha para mostrar a estrada e ao fundo o topo do santuário.

Até que chagamos todos em Caravagio. Esta seria a última parada da tarde, comemos uma torrada cada uma, mais uma cueca-cuela e recuperamos as últimas energias que ainda existiam nas pernas.

O caminho agora era o tradicional, nada de novo, só alguns buracos novos na estrada, pedras soltas e coisas do tipo, mas nada apavorante.
Na primeira subida da volta o Prona ficou novamente pra trás, estava no modo sobrevivência faz tempo. Lá no topo da subida eu me despedi dos demais, pois estava (bastante) atrasado para o aniversário da minha irmã. Resolvi dar um laço até em casa, até que as pernas agüentassem.
E agüentaram, bati meu recorde de tempo neste caminho, cheguei no Mart Center quase vomitando os pulmões, mas cheguei. Dali até em casa é um pulo, quando cheguei em casa a primeira coisa que fiz foi ligar para o Prona e ver se precisava de resgate. Liguei para os outros três pedaladores também, mas nenhum atendia, sinal de que estavam pedalando.
Dei uma mangueirada na bici pra tirar a sujeira, tomei um banho e fui buscar a mulé que já devia estar bufando com a minha demora, heheheh.
Todos vivos, todos cansados, mas todos com a sensação de dever cumprido. Foi um pedal ESPETACULAR, que merece reprise. Três tombos, muito calor, muito suor, muita borboleta e nenhuma aranha, mas muita diversão. Abraços e até o próximo.
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