O verão está chegando e este sábado que passou tivemos uma amostra do que ele vai aprontar para nós pedaladores. Nos reunimos as 9 horas da madrugada no Bóbis e no horário marcado lá estavam todos: Bassolin, Igor, Andrius e Testolino. Todos preparados para mais uma indiada ciclística.
Ainda não tínhamos decidido o roteiro, conversamos e resolvemos fazer uma “passeio” até Souza Farm. Então, partimos em direção ao Bairro Cruzeiro, descemos até o tradicional Bar do Veio, onde paramos para uma negociação sobre qual percurso seguir.
Pensávamos em fazer algo não muito curto, mas um pedal não tão judiante, pois o Igor está voltando de um bom tempo parado. Pedimos a opinião dele, sobre se agüentava ou não e o mesmo disse que sim. Isto todos dizem antes de conhecer o caminho, hehehehe.
Descemos então em direção à Ponte Amarela. Uma descida interminável, boa para testar os pneus novos que coloquei na querida. Aliás, muito bons estes pneus.

Antes da descida uma paradinha para registrar a equipe do dia. Neste pedal, quem fez a vez de Jorge Tadeu foi o Igor.

Ninguém mandou ele dizer que tinha comprado uma “vegetal” e levado consigo pra pedalar.

Linda paisagem. Bastante comum nesta região.

Plantação de “caqui” nas montanhas.

Após as fotos, despencamos morro abaixo. Eu desci na frente, pois desta vez não tinha o Zunior nem o Prona que, normalmente, são os Kamikazes nas descidas. Lá na ponte paramos para o Igor descansar (só descida até este ponto) e tirar algumas fotos.

Agora era morro acima. Esta subida judia das pernas, mas o negócio é não deixar ela vencer o cara, é encarar e pronto. Coroa do meio, terceirinha na traseira e vamos pra cima. Eu e o Andrius subimos na frente, logo atrás vinha o Testolino e mais atrás o Igor.
Esta subida começa forte, depois dá uma aliviada, mas logo adiante piora, e piora bastante quando chega os dois cotovelos em seqüência. Mas não desanimamos, passamos os cotovelos sem descansar, apenas alterando a frente. Ora o Andrius, ora eu puxava a fila. Sempre na coroa do meio, só controlando a pedalada e suando bastante, pois o Sol começava a judiar.
Achamos uma sombra quase no final da subida e paramos para esperar os demais e para tomar bastante água. Descansamos um pouco as pernas e em seguida chegou o Testolino que vinha devagarito para não se judiar muito. Um pouco depois aparece o Igor empurrando a bicicleta. Notei que ele já estava cansado na primeira subida da tarde e que o pedal seria cruel para ele, mas do ponto onde estávamos não tinha muita escolha, era ir adiante e pronto.
Deixamos o Igor recompor as forças e seguimos adiante, para mais uma parte da subida interminável. Alguém tinha que fazer as honras de gigante, então sobrou pra mim puxar a fila novamente. As pernas já estavam pedindo substituição, mas segui morro acima.
Subimos, subimos e subimos, até pararmos em frente á uma casa antiga onde registramos algumas fotos.

O Igor riscando meu quadro.

As fotos estavam ficando legais, mas a estrada nos chamava, precisávamos partir. Seguimos viagem em direção à Gruta dos Índios. Como o Andrius e o Igor não conheciam o local, resolvemos descer e apresentar a gruta aos dois com a esperança de que as índias bolagateiras estivessem por lá.
Abrimos a porteira, pegamos a estradinha, toda cheia de cascalho e descemos. O Testolino ia na minha frente, quando de repente um réptil saiu do barranco, avançou na estrada, partiu para cima do Testolino e sua bicicleta. Uma cena terrível. Parecia o Aligator atacando os transeuntes indefesos. O Testolino, ágil que é, freou a bicicleta, se esquivou e o bichano passou por ele e se perdeu dentro da mata. Foi por pouco!!!
Passado o enorme susto seguimos adiante. Continuamos a descida até a pontezinha. Esquecemos que logo após a pontezinha tem uma subida de primeira e o único que conseguiu subir pedalando foi o Testolino. Acho que ainda estava abalado por causa do Aligator.
Levamos os dois pedaladores para conhecer a gruta. Na parte de cima paramos um pouco para jogar umas pedras na água. Depois descemos até lá em baixo, onde tem o grutão. Mas só tinha o grutão mesmo, nada das índias. Algumas fotos foram tiradas, alguns escorregões nas pedras cheias de limo e alguns morcegos nos espiavam.

Olhem o nosso fotógrafo aí.

Após conhecer a gruta pegamos a estrada novamente. Voltamos à estrada principal pela mesma subidinha que se entra na gruta e seguimos viagem. Mais um trecho em subida. O Igor estava ficando para trás.

Neste ponto, paramos para registrar o momento Jorge Ecomotion da tarde. Belas fotos para homenagear este querido amigo de pedal que não pode estar presente e sempre faz bons retratos de nós e dos locais por onde passamos.
Uma porta.

Uma janela.

Uma flor.

Como na primeira vez que passamos por ali, resolvemos pegar um atalho e encurtar o caminho. Seguimos então pelo Atalho do Moinho Abandonado. Encurta o caminho, mas a subida até o Moinho abandonado judia as pernas. Novamente eu subi na frente, sempre na coroa do meio, só controlando a pedalada e a respiração. Maaaaazzzaaaaaahhhhhhhhh!!!
Uma parada estratégica no Moinho para esperar o resto. O Andrius chegou junto, paramos e logo atrás apareceu o Testolino. Um pouco (bastante) depois chegou o Igor, reclamando de dores nas pernas. As câimbras estavam atacando o cidadão. Descansamos bastante até o Igor se recompor. Muita água tomada, pois era meio-dia e Sol estava forte e queimando bastante.
Enquanto o Igor descansava a gente conversava e falava mal dos outros. Além de jogar pedras pra dentro do Moinho abandonado na esperança de que lá de dentro saísse alguma alma penada. Como não apareceu nada e o Igor estava um pouco melhor retomamos o pedal.
Estradinha estreita, com graminha no meio, no melhor estilo para se pedalar. Na frente seguíamos eu a o Andrius, passamos por uma chácara cheia de cachorros. O maior estava preso, ainda bem, mas saiu de algum buraco um misto de rato e cachorro que se atravessou na frente das bicicletas. Eu desviei mas o bicho foi pra cima do Andrius que freou na hora. Com a freada algumas pedras voaram e fez o tradicional barulho do cascalho, o que assustou o bicho, que saiu acoando e fugindo de nós. Nem paramos, só escutamos de longe uma senhora que estava na casa chamando o bicho de volta.
Paramos lá na encruzilhada que leva ao Camandoli. Mostramos os diversos caminhos possíveis aos que não conheciam a região e seguimos adiante. Um bom trecho em descida para depois chegarmos no Estradão de Souza Farm e continuar subindo.
Entramos no estradão e o Igor estava sentindo as pernas. A cara dele não era das melhores, hehehe. Mas seguimos. Esta estrada é boa de pedalar, bem larga, só se torna ruim quando aparece algum gringo imbecil com seu carro a milhão por hora jogando pedras pra todos os lados, fato que é bem comum. Continuamos subindo e parando nos locais mais altos para esperar o Igor que vinha vagarosamente se controlando lá atrás.
Pedalamos mais alguns km, entre inúmeras subidas e algumas descidas, até chegarmos numa sede recreativa de alguma igreja da região. Não sei o nome pois nunca lembro o nome dos locais. Mas paramos para algumas fotos, descasar e reabastecer as caramanholas. O Sol estava cruel.


Todo mundo abastecido, partimos adiante, para mais uma subida. Esta subida já é cansativa em dias normais, mas com o Sol queimando do jeito que estava sábado, a subida se tornou infernal. Na frente subiu o Andrius e o Testolino, o Igor ficou pra trás, então eu resolvi fazer companhia para ele. Sei que subir solito é muito ruim, ainda mais quanto do cara está muito cansado.
Subimos devagar, conversando, eu tentando dar apoio pra ver se ele criava forças para conseguir vencer a subida inteira. Paramos algumas vezes para alongamento. Em alguns trechos foi necessário dar uma força extra ao Igor. Nada que um empurrão não resolva. E chegamos lá em cima. O Testolino e o Andrius estavam nos aguardando debaixo de uma árvore, na única sombra que havia na estrada.
Tomamos mais alguns litros de água, alongamentos diversos para as pernas no Igor não caírem fora e descanso. Vários veículos passavam por nós em velocidades altíssimas, quando aparece lá no fundo da estrada, uma caminhãozinho da Agrale, vindo devagar. O Igor não teve dúvida e fez sinal para o Tiozão parar. O Andrius observou que conhecia o cidadão, gritou o nome dele e o Igor arrumou uma carona até Souza Farm.
Gente fina o motora, seu Marcelo. Ofereceu carona para todos, mas só o Igor montou no caminhão. Os demais ainda tinham pernas e queriam fazer o trajeto pedalando. Combinamos então de nos encontrar no Bar Suspenso em Souza Farm. O Igor se mandou na carona e nós pedalando. Estávamos já no asfalto que leva a Fazenda Souza e em pouco tempo, sem parada alguma, sem descanso, sem água para tomar, chegamos. Uma subida rápida.
Chegamos no Bar Suspenso e lá estava o Igor já matando uma cueca-cuela. Como ele sabia que logo os RomarioBikers chegariam já adiantou uma cubinha pra nós. Eita maravilha.
Largamos as bicicletas para descansarem e sentamos numa mezinha na sombra. Na mesa ao lado um tipo estranho com três queridas logo foram embora. Acho que não gostaram de nossa presença, ou o cidadão ficou com medo que a gente roubasse elas.
Fizemos nosso pedido: 4 X salada. Comemos, falamos um monte de besteira, descansamos, xingamos um imbecil que estacionou o uno na frente do bar e ligou a “sonzêra” de gosto duvidoso pra toda região escutar. Tal cidadão fora prontamente apelidado de Sadol devido a sua musculatura avantajada. Hehehe. Apareceu também um bando de barulhentos, mas estes nem perturbam mais, já nos acostumamos.
Descansamos bastante e começamos a pensar na volta. O Igor estava mal, achávamos que não agüentaria subir o Eberle naquele estado. Mas pensamos em voltar devagar para não ter problemas. Ah, antes de sair já demos novo nome ao buteco, que agora passou a se chamar Bar que Não Tem Nada. Porra, não tinha gelo, não tinha mais coca-cola, não tinha água sem gás, não tinha nem ervilha… que lástima.
Saímos de Fazenda Souza e pegamos o asfalto para Caxias do Sul. Agora era só asfalto pela frente. Entramos na rota do sol e, quando fizemos uns 200m aparece novamente seu Marcelo para salvar o Igor do martírio que seria a volta. Prontamente ele parou e veio conversar conosco, ofereceu carona para todos, e desta vez subiram o Igor e o Andrius. Eu e o Testolino viemos pedalando.
Nos despedimos e começamos a pedalar. Asfalto não tem graça, não tem diversão. Voltamos num ritmo bom, paramos somente depois do Morro do Eberle. Eu comecei a subida na frente, todo morro puxando e exigindo bastante das pernas que já estavam bastante desgastadas. Na última reta, onde o morro dá uma inclinada pra judiar meu ritmo diminuiu e o Testolino me passou.
Paramos para tomar uma água na parada de busão que tem logo após a subida. 30s de descanso e mais pedalada, pois ainda havia um bom trajeto a ser vencido e agora seria na civilização, onde o respeito termina e começa a sobrevivência para os ciclistas. Mas chegamos em casa.
Foi um pedal ótimo, apesar dos ocorridos. O Igor já está bem, deve ter ficado o domingo inteiro de molho, mas está bem. 74km pedalados, debaixo de muito sol, mas se divertindo muito com os amigos. Até o próximo.
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