Todas as previsões do tempo vistas durante a semana passada, mas todas mesmo, indicavam chuva para sábado. Assim, encaminhamos um e-mail para São Pedro “pedindo” para que revisse seus conceitos e não nos mandasse chuva, pois queríamos pedalar. Mesmo assim as previsõe não mudaram. Algumas até indicavam uma melhora, com chuva apenas no final da tarde de sábado. Resolvemos arriscar.
Pedal confirmado, 9 horas todos na igreja de São Pelegrino para o encontro. Eu, Andrius, Jorge, Testolino e Zaka lá estávamos. O Zunior apareceu fantasiado de gente e disse que não poderia ir pedalar, pois tinha que trabalhar. O Cesar estava atrasado porque furou duas vezes seu pneu antes de ir pedalar, hehehe. Esperamos.
Todos reunidos e partimos para a indiada do século. Quem sabia o destino era apenas o Zaka, que não nos avisou para não assutar, garanto. Eu gripado e o Testolino com o joelho doído. Mas fomos.
Passamos pelo Desvio Rizzo, descemos, descemos, descemos e descemos. Depois subimos e subimos. Passamos por Forqueta até chegarmos no esfalto que leva pra Nossa Senhora da Saleta. Uma encruzilhada. Aí o primeiro problema. Neste ponto estávamos em dois grupos de três pedaladores. O grupo da frente era onde ia o Zaka que sabia o caminhho e o grupo que vinha mais atraz tinha eu, Jorge e Testolino, que não sabiam o caminho a ser seguido. Ainda nos asfalto, um ponto para ser marcado e retratado.

Paramos na encruzilhada com um dilema: Foram pra cima ou para baixo? Os três resolveram descer um pouco pra ver se encontravam os demais. Descemos até uma oura bifurcação e não achamos ninguém. Até fui um pouco mais além pra ver se via alguém. Nada. Fizemos meia volta e subimos. O Jorge se mandou na frente, eu e o Testolino subimos na manha. Meus pulmões deram o primeiro sinal de que não aguentariam a volta. Cramento, tava foda de respira. A gripe detona o cara.
Chegamos lá no final da subida, ao lado da igreja de Nossa Senhora da Salete e o Jorge nos aguardava, mas só o jorge, nada dos outros. Eu me atirei no chão e pensei em desistir. Tava muito ruim de respirar e eu só iria atrapalhar os demais. Descansei um pouco e resolvi ir adiante.
Aí voltamos por onde viemos para ver se achávamos os três quera nos esperando em alguma encruzilhada. Descemos até lá na encruzilhada novamente e lá estavamo os outros, nos esperando. Nesta descida a Katja alcançou seu recorde: 75km/h.

Nos reunimos novamente e partimos. Eu junto, não desisti, fui além. Até porque nesta parte do caminho é só descida e pra baixo todo santo ajuda, é barbada, nem precisava respirar, hehe. Basta cuidar dos animais que atravessam o caminho, é simples.

Pedalamos por mais alguns km até chegar na localidade de Menino Deus. O caminho que leva até lá é muito legal. Estrada bem de interior, só os trilhos dos pneus no chão, árvores de um lado e penhasco do outro.

Além de uma sequência interminável de parreirais e algumas casas solitárias pelo caminho. Pra quem gosta de pedalar por estradas no meio das colônias é um espetáculo. Seguimos adiante.

Continuamos na mesma estrada de sempre. Haviam algumas bifurcações, algumas levam de volta ao asfalto, outras para lugares desconhecidos, mas seguimos sempre na principal. Paramos para tomar um dopping violento. Aqui não se usa EPO. Em terra de gringo se mete vinho nas veias.

Ficamos para trás batendo fotos enquanto o Zaka e o César se mandaram. Eles deviam estar putos da cara com nosso atraso, mas agora entenderão e garanto que soltarão uma gargalhada onde quer que estejam.



Todos reunidos novamente e seguimos adiante. Sempre pela estrada principal. Passamos pela casa do Seu Barbante, paramos, não havia ninguém, só o cheiro de comida saindo do forno. Que maravilha! Quando estávamos saindo e voltando à nossa pedalada, saiu pela porta da casa a esposa do Seu Barbante. Aí não teve jeito. Voltamos
Em seguida a familia inteira apareceu. Seu Barbante, os filhos e até os cachorros vieram nos recepcionar. Gente muito simpática e querida. Ficamos conversando por alguns instantes. O Jorge já conhecia eles de outro pedal feito. A coversa estava boa mas precisávamos partir. Retomamos o rumo e logo adiante nos reunimos com os que estavamo lá na frente nos esperando. O Zaka estava com cara de poucos amigos, hehehehe. Mas faz parte.

Algumas paradas ainda para retratar momentos ímpares e também para comer umas “berga” de casca solta.


Descemos mais um pouco, e o primeiro imprevisto do pedal surgiu. Pneu furado do César. De quem mesmo? Sim, do César. E ele já havia trocado duas vezes o pneu antes do pedal, logo não tinha mais câmera reserva. Mas o chapolin estava presente, dei minha câmera pra ele e fizemos a troca. Só que o pneu também estava rasgado. Arrumamos e seguimos.

Dali pra frente eu não conhecia mais o trajeto, acho que só o Zaka sabia onde iriamos sair. Seguimos. Uma descida espetacular. Saímos lá em baixo, no pé da serra. Forqueta Baixa. Isso depois de pedalar por mais de 50km. Tudo estava fechado, parecia tudo abandonado. Acredito que todos estavam se escondendo dos ETs que surgiram. Não achamos nenhum lugar para parar, descansar e comer alguma coisa.
Esses ETs fazem cada coisa!!!

O Zaka e o César resolveram então seguir adiante até o asfalto para ver se lá havia algum lugar para dar uma parada e descansar. Fomos todos juntos e eu pensado: “ah, sim, o asfalto que leva de volta para Forqueta, nem pedalamos tanto assim”. Pedalamos mais um bocado, o calor agora estava judiando, pois são Pedro não mandou a chuva mas mandou o sol. Estava muito quente, eu gripado e cheio de roupa, uma combinação que não dá muito certo. Parei para descansar e junto pararam o Testolino e o Andrius. Tirei um pouco de roupa, muita água tomada e seguimos no nosso ritmo. Devagar e sem pressa.
Lembram do asfalto? Ledo engano o meu, era o asfalto de Vale Real. Estávamos muito longe de casa, hehehehehe. Mas paramos num buteco beira de estrada. Tomamos vários litros de cueca-cuela, torradas com ovo, fritas e tudo que ajudasse na recuperação dos sequelados. Eu em especial. Neste ponto resolvi abandonar a prova, eu não estava legal, só iria atrapalhar os demais.

O Testolino estava com dores no joelho, devido a uma porrada de um jogo de “bosquete”, então, como romariobiker que é, resolveu ficar e me fazer companhia. O Andrius também ficou. Então, ficamos os três sequelados e os outros três gigantes se mandaram.
Daqui pra frente existem duas histórias, para conferir a história pedalada, basta acessar SerraBikers e para conferir o Resgate do soldado Zarech basta acessar RomarioBikers.
Como você está no RomarioBikers, basta continuar lendo, hehehe. E daqui pra frente não tem mais foto, só relato e emoção.
Com a separação do grupo, ficamos eu, Testolino e Andrius às margens da rodovia de Vale Real esperando por um resgate. Pensamos em Voltar de busão, até esperamos pelo mesmo, que nunca passava. Fomos então em busca de um frete.
Apareceu um piá do nada e disse que um tio, do primo, do vizinho, do pai dele tinha um caminhão e nos daria carona. Gente boa o piá, tava de bici também, hehehehe. Fomos até a casa do tal cidadão, chegando lá o cara disse que levaria a gente de camioneta, mas cobraria. Ok, sem problema a gente paga, mas quanto?
Aí surgiu a mulé do cara pra atrapalhar. Começou com 100 conto, disse que queria 150 e tal. Quase mandei ela tomá no cu, mas fiquei quieto, pois estava em terreno alheio. O cara então, meio indeciso disse cinquentão. Olhamos pra ele, e dissemos bye. Por 50 conto eu vou com a bici nas costas até Caxias. E voltamos pra estrada.
Decidmos ir até o pedágio, era pertinho e lá tem posto de gasolina, restaurante, o pedágio em si, alguém iria nos ajudar. Alguma alma nos ajudaria, certamente.
No caminho paramos em uma mercearia onde tinha um mercedinho parado na frente. Chamamos o dono para ver se fazia um frete até Caxias. Apareceu um cidadão com cara de quem tomou 46 garrafas de vinho e disse: - Má non dá, eu faço frete sim, mas não tenho carteira de motorista. Non dá.
Foi o segundo cidadão que quase mandei tomá no cu em menos de 10 minutos. Eu tava ficando nervoso.
Pegamos o asfalto e seguimos até o pedágio. Chegamos lá era 15:50h. Pegamos o desvio, paramos na entradinha e começamos a parar e pedir carona para todos os viventes com veículos capazes de nos transportar. Nada, alguns nem olhavam.
Fomos no posto pedir carona e lá também ninguém tinha caminhão, ninguém sabia, ninguém podia. Eita gente imbecil. Então ficamos na parada do busão esperando alguma alma penada que pudesse nos ajudar. Pedimos informação sobre o horário do busão pra umas 10 pessoas, cada uma dava uma resposta diferente, hehehee. Este povo é muito bem informado, tá loco!
Era quase 17 horas quando apareceu um senhor que também iria pegar o busão pra Caxias. Eu já tinha perdido as esperanças de que alguém nod faria um frete. Será que o povo tem medo de ciclistas? Só pode. Chegamos a cogitar subir a serra pedalando mesmo. Era pouca coisa, e asfalto, mas era uma subida perigosa, sem acostamente e com muitos caminhões. Desistimos.
Começamos a ligar para todos que conhecemos que tem camionete, caminhão, charrete, cariola, etc… Ninguém podia ir nos resgatar. Eis que lá no fundo do desvio do pedágio surge um furgão do SUPERMERCADO ZARECH. Nem precisamos nos atirar na frente dele, bastou um sinal de “carona” que o motora prontamente parou.
Fui conversar com ele e pedi a carona. Aproveitei e já pedi quanto cobraria, pois me acostumei mal com o véio nó cego dos 50 conto. Ele olhou pra mim e disse rindo: - Embarca as bicicletas ali atrás e sentem aí no segundo banco que eu levo vocês.
Era a salvação. A arca de noé. O nosso sofrimento acabara. Embarcamos as bikes dentro do furgã e fomos junto delas. Nem queríamos sentar confortáveis nos bancos do furgão, ficamos lá atras com as queridas. Subimos a serra cambaleando para os lados, quase chamando o “tio Hugo” nas curvas, mas chegamos.
Serei eternamente grato ao SUPERMERCADO ZARECH, Os próximos xuras da gurizada, trago, carne, o que precisar, comprarei lá.
O motora me largou ali na entrada de Caxias, no posto da BR116. Neste ponto os sequelados se separaram. O o andrius foi pela perimetral e o Testolino seguiu mais um pouco adiante de carona, descendo mais “perto” da casa dele.
Eu desembarquei e me mandei pra casa. Pedalar foi um martírio. Após o frete ainda consegui algumas forças para ir até em casa. Foram quase 5 km de sofrimento, hehehe. Não via a hora de chegar em casa e me jogar em algum canto. E cheguei, pedalando.
Foi um baita pedal, pena que nosso estado físico não permitiu concluir o pedal “pedalando” ele inteiro. Mas o trajeto é espetacular.
Resumo:
73km pedalados
28km na carona da van do SUPERMERCADO ZARECH
3 pneus furados, sendo dois antes de sairmos, heheh
Nenhum tombo
8 bergamotas roubadas
Era isso, até o próximo pedal, que será o PEDAL DO RISO SEGUNDA EDIÇÃO, dia 12 de agosto de 2006. Todos estão convidados. Horário e local de saída será definido durante esta semana e será amplamente divulgado.
Fui…
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